sei que tenho muitos eus. Reconheço-os em algumas paixões, escolhas, fracassos, crescimentos, lágrimas, alegrias, encontros, e encantos. Deuses, passarinho, satanás, pobre diabos, ricos diabos, belos deuses, incríveis filósofos, ela mesma a filosofia, ou minha cadeira quebrada de balanço, meu mulambo guardado nas evocações do aconchego, minhas cartas de amor que ardem sob o fogo do lixo, ardem sob as dores de meu coração doente, apaixonado. Muitos eus, muitos nomes, mas podem chamar de nádia, de graúna, de macumbeira, de feiticeira, de simplesmente mulher, meio bicho, meio mato, meia sumaúma, meio luar, ou o luar inteiro, arrogante, invasor das solidões...
podem encontrar-me nas sargetas, ou nos telhados de vidro em busca das estrelas prometidas...